Café e maçãs na tarde de Junho.
Num morno recanto civilizado
meus sentidos abarcam uma situação ligeiramente abstrada.
O mundo se tornou hospitaleiro,
como uma trégua no meio da história.
As maçãs emitem um resplendor amarelo,
o café oferece sua fumaça íntima.
Para meu fracasso de indivíduo contemporâneo
tudo isso parece o suficiente,
o frio interno das maçãs,
o calor instável do café,
dois motivos da natureza que fogem do meu controle.
Assim que estou com o traseiro esparramado
num aposento apropriado para minha classe social.
Zelando pelas coisas suaves
fecham-se as portas para o tumulto geral.
Porém às vezes estoura uma bomba no andar de baixo
e a polícia corre para saber quem é quem neste mundo.
[Joaquín O Gianuzzi]
Tradução de Renato Rezende
E não posso acrescentar mais nada a isso...
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