terça-feira, 30 de novembro de 2010

Desculpa, vida.

Desculpa, vida, se eu não faço as coisas como devem ser feitas.

Se não sou tão inteligente e sagaz.

Se gosto mais de me distrair do que ficar concentrada

Se me distraio com as nuvens e as pessoas passando lá fora

Se meu pensamento voa em momentos inoportunos

Porque eu, na minha limitação humana, não posso voar.

Se minhas emoções explodem e me impedem de fazer coisas importantes

Se não tenho grana pra fazer coisas legais

Se não consigo amar e ser amada na medida certa

Se tenho preguiça de falar e ter contato com a maioria das pessoas

Desculpas, vida, por ser tão imperfeita.

Tão desajustada

Mas não precisa ser tão cruel.

Não precisa.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Você vai me perder

E só não te digo isso porque você não liga.
Seus braços permanecerão cruzados.

Você continuará seguindo sua vida assim como está.
Você não fará nada por mim.
E no fim
Você vai me perder.
Na verdade não te digo porque dói mais
Saber que você sabe e não fará nada
Dói mais
Você vai me perder
E serei uma árvore caindo numa floresta onde não há mais nenhum ser vivo por perto.
Em silêncio, partirei.

domingo, 14 de novembro de 2010

Avulsas

nádia diz (15:38):
"ainda fico me perguntando, porque eu sou sempre trocada tão facilmente".
eu também
nádia diz (15:40):
vc nunca ser suficiente
(@palomamush) diz (15:41):
eu nunca sou
(@palomamush) diz (15:42):
sabe quando você sente que está sobrando?
eu só sobro.
nunca encho.
nádia diz (15:43):
será que isso muda um dia, mush?
vc quer acreditar que sim, mas poxa, mas de 20 anos da mesma coisa
nao dá
mais*
(@palomamush) diz (15:44):
não sei nads, estou só vivendo e tentando me acostumar com isso
nádia diz (15:46):
ninguém mais luta, cara.
ninguém mais quer acreditar.
vc acaba desistindo também.


_

(@palomamush) diz (12:50):
não quero amar outra pessoa. eu quero que isso murche, seque, e morra. quero ficar dura, como um granito.
não quero, nunca mais, precisar passar por uma dor tão grande como essa.
isso tudo está fazendo o maior mal da minha vida, e eu não sei lidar.

_


endureci um pouco, desacreditei muito das coisas, sobretudo das pessoas e suas boas intenções. dar um rolé em cima disso não vai ser nada fácil. e as marcas ficarão - tatuagens.

(Caio F. Abreu)

_

Nádia diz (21:51):
voltei
finalmente descobri que tenho um talento.
(@palomamush) diz (21:51):
qual?
Nádia diz (21:52):
nasci pra ter o coração partido.
(@palomamush) diz (21:53):
queria dizer qualquer coisa bonita, que as coisas podem até melhorar
mas nós duas não acreditamos mais nisso...
mas eu te acompanho nesse desgosto...
só vai restar nós duas no final.
(@palomamush) diz (21:55):
a gente cola os caquinhos
vamo ?
Nádia diz (21:56):
sabe o que dá certo nesse mundo, mush?
o que é conveniente.
só isso dá certo.

Deseja desliga-la?

Meu celular tem uma mania engraçada. Depois de algum tempo sem qualquer uso ele me pergunta se desejo desliga-lo. Acho engraçado.
Eu digo que não como quem ainda espera alguma coisa. Ninguém vai ligar, mas não. Esperar vai ser inútil, mas não. Já são mais de onze da noite, não.
Sempre resta uma esperança. A maioria das pessoas odeia esperar, mas passam a vida esperando. É tão cansativo, mas não.
A vida não pergunta tão diretamente se você quer desliga-la. Não falo da vida como um todo, mas dessas fragmentações que inventamos.
Há quanto tempo sua vida amorosa está em desuso? Você deseja desliga-la? E sua vida profissional, deseja desliga-la? Sim, você deseja, mas não. Sim, está tudo dando errado, mas não. Você aperta aquele botão imaginário e continua deixando tudo ligado. Não há perspectiva, mas não.
Quer saber, celular, pergunta de novo.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Pequena

Sobre essa pequena há uma risada constante e um pouco nervosa, ela ri pra esconder e pra mostrar.
Há uma piada pra disfarçar a dor, uma dor pra disfarçar a piada e uma dor pra disfarçar uma dor.
Há um querer tudo, há um querer todos, há um querer.
Confusa e linda.
Cativante e perdida.
À procura de sua grande história, de sua grande chance, de sua volta por cima.
Há a saudade de um afeto ausente e necessário.
Há uma nova mulher, meio tensa, e uma menina alegre que às vezes entram em conflito de interesses.
Há uma vontade de que a abracem forte, de que afaguem seus cabelos, de que lhe digam que vai ficar tudo bem. De que não irão deixá-la apesar de toda confusão que ela é.
Há medo.
Há uma força que ela ainda não conhece.
Há um dom pra alegria que ela ignora, sabe-se lá por que. Supõe-se que ela ache que não a mereça.
Mas sobre ela, há uma alegria merecida.
Há uma constante inquietação, um constante vazio, uma esmagadora falta.
Há um amor.