sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Que teu afeto me afetou, é fato.

- Eu não mereço você.

- Você não me quer?

- ...


“Eu não mereço você” é a frase mais inútil que existe. A mais vazia e sem sentido. Você não se apaixona por uma pessoa e pensa: Eu quero que ela me mereça. Ninguém – na real – quer ser merecido.

Você quer ser desejado por quem deseja, quer ser amado por quem ama, quer despertar paixão na pessoa pela qual está apaixonado. Mas ser merecido? Por favor, diga logo que não quer. Ou lute.

Eu sei que são atitudes extremas demais pra muitas pessoas: Desistir ou lutar. Extremos. Mas “eu não te mereço” é o cumulo do descaso. É uma frase pífia de consolo. Não consola. Não preenche. Não serve pra nada. Só indica o fim de tudo que você mais queria.


E diante de um “eu não mereço você”, só te resta soltar outra frase inútil, como: “eu te faria muito feliz”.


terça-feira, 30 de novembro de 2010

Desculpa, vida.

Desculpa, vida, se eu não faço as coisas como devem ser feitas.

Se não sou tão inteligente e sagaz.

Se gosto mais de me distrair do que ficar concentrada

Se me distraio com as nuvens e as pessoas passando lá fora

Se meu pensamento voa em momentos inoportunos

Porque eu, na minha limitação humana, não posso voar.

Se minhas emoções explodem e me impedem de fazer coisas importantes

Se não tenho grana pra fazer coisas legais

Se não consigo amar e ser amada na medida certa

Se tenho preguiça de falar e ter contato com a maioria das pessoas

Desculpas, vida, por ser tão imperfeita.

Tão desajustada

Mas não precisa ser tão cruel.

Não precisa.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Você vai me perder

E só não te digo isso porque você não liga.
Seus braços permanecerão cruzados.

Você continuará seguindo sua vida assim como está.
Você não fará nada por mim.
E no fim
Você vai me perder.
Na verdade não te digo porque dói mais
Saber que você sabe e não fará nada
Dói mais
Você vai me perder
E serei uma árvore caindo numa floresta onde não há mais nenhum ser vivo por perto.
Em silêncio, partirei.

domingo, 14 de novembro de 2010

Avulsas

nádia diz (15:38):
"ainda fico me perguntando, porque eu sou sempre trocada tão facilmente".
eu também
nádia diz (15:40):
vc nunca ser suficiente
(@palomamush) diz (15:41):
eu nunca sou
(@palomamush) diz (15:42):
sabe quando você sente que está sobrando?
eu só sobro.
nunca encho.
nádia diz (15:43):
será que isso muda um dia, mush?
vc quer acreditar que sim, mas poxa, mas de 20 anos da mesma coisa
nao dá
mais*
(@palomamush) diz (15:44):
não sei nads, estou só vivendo e tentando me acostumar com isso
nádia diz (15:46):
ninguém mais luta, cara.
ninguém mais quer acreditar.
vc acaba desistindo também.


_

(@palomamush) diz (12:50):
não quero amar outra pessoa. eu quero que isso murche, seque, e morra. quero ficar dura, como um granito.
não quero, nunca mais, precisar passar por uma dor tão grande como essa.
isso tudo está fazendo o maior mal da minha vida, e eu não sei lidar.

_


endureci um pouco, desacreditei muito das coisas, sobretudo das pessoas e suas boas intenções. dar um rolé em cima disso não vai ser nada fácil. e as marcas ficarão - tatuagens.

(Caio F. Abreu)

_

Nádia diz (21:51):
voltei
finalmente descobri que tenho um talento.
(@palomamush) diz (21:51):
qual?
Nádia diz (21:52):
nasci pra ter o coração partido.
(@palomamush) diz (21:53):
queria dizer qualquer coisa bonita, que as coisas podem até melhorar
mas nós duas não acreditamos mais nisso...
mas eu te acompanho nesse desgosto...
só vai restar nós duas no final.
(@palomamush) diz (21:55):
a gente cola os caquinhos
vamo ?
Nádia diz (21:56):
sabe o que dá certo nesse mundo, mush?
o que é conveniente.
só isso dá certo.

Deseja desliga-la?

Meu celular tem uma mania engraçada. Depois de algum tempo sem qualquer uso ele me pergunta se desejo desliga-lo. Acho engraçado.
Eu digo que não como quem ainda espera alguma coisa. Ninguém vai ligar, mas não. Esperar vai ser inútil, mas não. Já são mais de onze da noite, não.
Sempre resta uma esperança. A maioria das pessoas odeia esperar, mas passam a vida esperando. É tão cansativo, mas não.
A vida não pergunta tão diretamente se você quer desliga-la. Não falo da vida como um todo, mas dessas fragmentações que inventamos.
Há quanto tempo sua vida amorosa está em desuso? Você deseja desliga-la? E sua vida profissional, deseja desliga-la? Sim, você deseja, mas não. Sim, está tudo dando errado, mas não. Você aperta aquele botão imaginário e continua deixando tudo ligado. Não há perspectiva, mas não.
Quer saber, celular, pergunta de novo.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Pequena

Sobre essa pequena há uma risada constante e um pouco nervosa, ela ri pra esconder e pra mostrar.
Há uma piada pra disfarçar a dor, uma dor pra disfarçar a piada e uma dor pra disfarçar uma dor.
Há um querer tudo, há um querer todos, há um querer.
Confusa e linda.
Cativante e perdida.
À procura de sua grande história, de sua grande chance, de sua volta por cima.
Há a saudade de um afeto ausente e necessário.
Há uma nova mulher, meio tensa, e uma menina alegre que às vezes entram em conflito de interesses.
Há uma vontade de que a abracem forte, de que afaguem seus cabelos, de que lhe digam que vai ficar tudo bem. De que não irão deixá-la apesar de toda confusão que ela é.
Há medo.
Há uma força que ela ainda não conhece.
Há um dom pra alegria que ela ignora, sabe-se lá por que. Supõe-se que ela ache que não a mereça.
Mas sobre ela, há uma alegria merecida.
Há uma constante inquietação, um constante vazio, uma esmagadora falta.
Há um amor.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

várias mãos

Não me entendo e ajo como se me entendesse.

Fico repetindo isso na minha cabeça, pois é isso. Não faço a mínima idéia do que acontece comigo, do que passa pela minha cabeça quando faço algo, do porque me sinto tão vazia a maior parte do tempo.

Preciso de um encontro. Duas ou mais coisas no mesmo local, na hora certa. Preciso muito disso porque talvez nesse momento algo faça sentido. Os caminhos tomados, as decisões, tudo que me levou até ali, ao menos uma vez poder justificar minhas escolhas. Até agora sou uma colecionadora de desencontros.

Talvez nunca aconteça.

Talvez tudo, talvez nada.

Até lá, ajo como se me entendesse.

Ás vezes eu não sei se quero parar porque estou cansada ou porque quero desistir.

Temo sobretudo o cansaço, acho que até agora eu só quis desistir. Sei o quanto esse verbo é chocante para algumas pessoas, essa idéia esmagadora de que se tem que ser um vencedor, “jamais desista!” eles dizem, mas pra mim não. O que me faz tremer são os semblantes cansados, é o estágio ultimo o cansaço, ele é triste, ele é o fim. E pra mim o pior será quando eu estiver deveras cansada. Irremediavelmente exausta.

Não, ainda não estou. No meu semblante, a esperança ainda brinca de vez em quando.

Gosto de muitas coisas ao mesmo tempo e me confundo inteiro e fico todo enrolado correndo de uma estrela cadente para outra até desistir. Assim é a noite, e é isso que ela faz com você, eu não tenho nada a oferecer a ninguém, a não ser minha própria confusão.

Nada a oferecer a ninguém, a não ser minha própria confusão. Mas as pessoas esperam. Elas querem mais e eu sei disso. Às vezes fujo antes que elas percebam que não tenho mais nada a oferecer. Meu deus, às vezes fujo antes de qualquer coisa.

Covardia? Talvez.

Mas dizem que até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro...

O difícil é lidar com a frustração. Ser tão insuficiente te impede de conseguir o que quer. Não conseguir o que ser quer é talvez uma das coisas mais difíceis de se lidar porque sua vida gira em torno do que desejas. Você não é o que tem, você é o que deseja ter. Porque o “ter” é um momento muito curto quando se compara ao “desejar”, passa-se muito mais tempo desejando algo do que possuindo.

Ah o desejo...

E ela (nós), como numa orgia, como num vício, como numa tara, como num inconfessável ritual sadomasoquista, ela entregava-se aos blues amargos, cafés fortes, tabacos lentos... ainda à procura da grande história.

Sim, precisei da ajuda de Clarice, Caio e Kerouac.

Dizer o que sinto é sempre muito difícil.


P.s: data do texto, não lembro.

mas já cansei.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Na medida do impossível

O que não entendiam é que ela não era solitária unica e exclusivamente por opção pessoal
A questão é que quando decidiu ser ela mesma, o mundo se afastou.
E é isto que a levará além.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Gato mestre


- Eu só queria saber pra que lado devo ir
- Bem, isso depende de onde você quer chegar.
- Isso não importa contanto que eu...
- Então não importa para que lado você vá.



quinta-feira, 27 de maio de 2010

ta, caio...


Ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um.
~

domingo, 2 de maio de 2010

Don't Try II


Ninguém está interessado realmente em quem você é.
As pessoas não estão nem aí pro que você é.
Elas só querem aquela parcela de você que as fazem se sentirem melhor.

Sério, todo mundo é assim.

Você
fala e elas não ouvem.
Você se mostra e elas não prestam atenção.
Caso você não fale as coisas diretamente, elas nunca irão perceber.
E quando você não é direta? Quando você não quer ser direta?

E no fim das contas você só pode contar consigo mesmo e ponto.

Armazene em si mesma tudo que precisa. Dependa o mínimo possível dos outros.


Acho que isso é ser forte. Acho.