Fazer o poema da consciência humana, fosse embora a propósito de um só homem, ou do mais miserável dos homens, seria o mesmo que fundir as epopéias em uma epopéia superior e definitiva.
A consciência é o caos das quimeras, das ambições e das tentações; a fornalha dos sonhos, o antro das idéias vergonhosas; é o pandemônio dos sofismas, o campo de batalha das paixões.
Experimentem, em certas horas, penetrar através da face lívida de um ser humano que reflete,
olhar em seu íntimo, observar sua alma e examinar essa escuridão. Ali, sob o aparente silêncio, há combates de gigantes como em Homero, batalhas de dragões e hidras e nuvens de fantasmas como em Milton, visões de espirais como em Dante.
Que coisa mais sombria é esse infinito que todo ser humano leva em si mesmo, pelo qual desesperadamente mede os desejos de seu cérebro e as ações de sua vida!"
Victor Hugo em "Os Miseráveis"
- Ta doendo.
- Onde?
- Aqui.
- Hum... Então é grave.
- Como sabe?
- Essas são as piores, você até consegue rir com elas. Quero dizer, mesmo que as sinta, mesmo assim, você rir.
- É verdade, sabe... Até consigo viver e tudo mais. Trabalho, converso com as pessoas...
Um tanto com a vista baixa e sem me aprofundar muito, me esquivando. Enfim, ela está aqui, o dia todo, como a roupa que visto e que às vezes passo o dia todo sem que a perceba. Até que anoiteça, que eu pare um pouco, que algo toque no rádio, ou até mesmo um sorriso de alguém me faça perceber que... estou com ela. Ou quando chego a minha casa e finalmente a sinto, tocando minha pele. E mesmo sabendo que nem tinha notado ela antes a impressão que tenho é que ela me incomodou o dia inteiro.
- É como falei, são as piores. Exatamente por isso, você pode viver com elas... você não quer isso, mas consegue...
parei por aqui, mas sinto que continua...
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