quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Observações momentâneas sobre práticas espontâneas I


Se me pedirem algum conselho sobre amor, eu direi: finja e aproveite.

Finja que é pra sempre.

Finja que sua vida começou a partir do momento que o ser amado entrou nela.

Finja que qualquer palavra sobre ele é poesia.

Finja aquelas coisas bobas, das quais você ria quando não estava amando.

Finja que a perspectiva de viver sem ele, é a maior dor que você pode sentir só em pensar.

Finja que seu dia está dividido em “estar ou não estar” com ele.

Finja que ele é a primeira coisa que vem à sua mente ao acordar, a ultima antes que seus olhos fechem para dormir e a que sempre aparece nos seus sonhos.

Finja que irá pensar nele pro resto dos seus dias mesmo que nunca ou nunca mais o veja.

Finja que ele faz de você uma pessoa melhor.

Finja que teu corpo arde de paixão, que tua mente repousa na tranquilidade de tê-lo contigo e que estar com ele, por alguns minutos, é o que você espera da eternidade.

Finja e aproveite cada instante.

Finja e colha os beijos, os abraços, os sorrisos e cada pequeno momento de felicidade.

E quando, enfim, tudo acabar...

Finja que entende.

Imagem: Anna Rusakova

~*~

Seria este um post Woody Allen?


domingo, 27 de setembro de 2009

Diálogo inacabado

"Existe uma coisa que é maior que o mar: o céu. Existe um espetáculo maior que o céu: é o interior de uma alma.

Fazer o poema da consciência humana, fosse embora a propósito de um só homem, ou do mais miserável dos homens, seria o mesmo que fundir as epopéias em uma epopéia superior e definitiva.
A consciência é o caos das quimeras, das ambições e das tentações; a fornalha dos sonhos, o antro das idéias vergonhosas; é o pandemônio dos sofismas, o campo de batalha das paixões.

Experimentem, em certas horas, penetrar através da face lívida de um ser humano que reflete,
olhar em seu íntimo, observar sua alma e examinar essa escuridão. Ali, sob o aparente silêncio, há combates de gigantes como em Homero, batalhas de dragões e hidras e nuvens de fantasmas como em Milton, visões de espirais como em Dante.
Que coisa mais sombria é esse infinito que todo ser humano leva em si mesmo, pelo qual desesperadamente mede os desejos de seu cérebro e as ações de sua vida!"

Victor Hugo em "Os Miseráveis"

ou apenas, o croqui de uma conversa...

- Ta doendo.

- Onde?

- Aqui.

- Hum... Então é grave.

- Como sabe?

- Essas são as piores, você até consegue rir com elas. Quero dizer, mesmo que as sinta, mesmo assim, você rir.

- É verdade, sabe... Até consigo viver e tudo mais. Trabalho, converso com as pessoas...

Um tanto com a vista baixa e sem me aprofundar muito, me esquivando. Enfim, ela está aqui, o dia todo, como a roupa que visto e que às vezes passo o dia todo sem que a perceba. Até que anoiteça, que eu pare um pouco, que algo toque no rádio, ou até mesmo um sorriso de alguém me faça perceber que... estou com ela. Ou quando chego a minha casa e finalmente a sinto, tocando minha pele. E mesmo sabendo que nem tinha notado ela antes a impressão que tenho é que ela me incomodou o dia inteiro.

- É como falei, são as piores. Exatamente por isso, você pode viver com elas... você não quer isso, mas consegue...

parei por aqui, mas sinto que continua...