terça-feira, 30 de dezembro de 2008

As noites

"Que pergunta devo fazer a esta noite?
Ela está tão linda que...
Bem... Acho que posso perguntar qualquer coisa."

[Num 23 de Dezembro de 2008 qualquer...]


Depois de tudo? Acho que ela sentia um nó na garganta toda vez que pensava nele...
Também tenho quase certeza de que sentia, na maioria das vezes, vontade de chorar. Lembro que, depois de certo tempo, ela prometeu a si mesma que nunca mais o faria. Algo relacionado com ele não merecer mais suas lágrimas. Uma dessas ideias idiotas que as mulheres utilizam para se convencerem que são fortes. O fato é que desde então ela realmente não mais chorou, acredito...

E tinha também os momentos que ela tentava entender... Inúteis, claro. Até tentei convencê-la a não perder tempo com isso, mas o fato é que ela nunca me ouvia... Algo relacionado a instintos e impulsividade... Babaquices humanas... Quem sou eu, pra questionar essa necessidade tola de sentir.

Mas confesso... Vinham-me arroubos homicidas toda vez que ela tentava entender. Dizia pra ela: “Agora? Do que adianta?! Você já fez a porra da burrada! Lembra que tentei te avisar e você dizia: ‘Desculpa, mas agora não é pra te ouvir, eu preciso seguir o outro, afinal é ele mesmo que sofrerá as consequências. ’” ... Como se fosse isso mesmo, ela sabia que no fim das contas o outro se escondia assustado e ficávamos nós dois, eu e ela, todas as noites, tentando entender. Sim, porque nesses momentos a fudida recorria a mim, claro! E sempre iniciava com aquela maldita frase inútil: “É... você estava certo...”

Às vezes eu realmente sentia pena dela. O olhar triste e perdido, um grito contido que sempre esbarrava nos lábios cerrados de medo... Medo de mostrar sua dor, se os outros realmente vissem o que ela sentia, tudo ficaria assustadoramente real... Acho que isso explica o nó na garganta que falei anteriormente.

E era sempre assim... Era como um treino, uma aprendizagem. Foi o que pensei. Tentei fazê-la pensar da mesma forma, me parecia a única explicação cabível. Tudo bem que com ela acontecia com muita frequência, quase sempre da mesma maneira e dessa vez foi a mais difícil... Até eu acreditei dessa vez...
E era dessa forma que ela argumentava e eu dizia: “Claro! Você sempre lenta em tudo, quando os outros vinham voltando, você ainda nem havia entendido que tinha que ir...” Touché!


Ela dizia: “É... isso é verdade...”
E riamos muito.

De repente ela parava... Aquele olhar... Parecia a pessoa mais triste do mundo, mas o que eu sei sobre tristeza...

Ela dizia: “Não... por favor, não quero mais ter esperanças. Cansei de acreditar. E convenhamos, não era pra você, logo você, me dá esperança. Você está tão cansado quanto eu.” Era verdade... Estávamos cansados, muito cansados.

Mas aquela tristeza no olhar dela sinceramente me incomodava. Geralmente quando esse olhar surgia nas nossas conversas eu lembrava daquela poetisa que ela gostava, recitava algo pra ela... Eu pessoalmente achava tudo aquilo uma besteira, nunca fui capaz de entender um poema. Mas ela... Ah... Ela sorria... Eu nunca entendi a beleza daquele sorriso... Era como se as duas se entendessem, era um riso cúmplice, era quase uma experiência mística...
O que raios estou dizendo?! Era só uma garota extremamente passional ouvindo poesia e eis que questiono: há tiros mais passionais que os dos versos e rimas?

E ela me respondia com aquele sorriso lindo: “Você realmente nunca irá entender, mas obrigada.”

E dormia.

[♪♪ ouvindo Lady Day ♪♪]

Hilda Hilst [sempre]

Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.
Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível
E o que eu desejo é luz e imaterial.
Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?

(Da Noite - 1992)

sábado, 27 de dezembro de 2008

É Proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

[Pablo Neruda]

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Piano de calda

"Eu nunca fui uma moça bem-comportada. Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços. Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo. Não estou aqui pra que gostem de mim. Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho. E pra seduzir somente o que me acrescenta. Adoro a poesia e gosto de descascá-la até a fratura exposta da palavra. A palavra é meu inferno e minha paz. Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar... Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente. Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos. São eles que me dão a dimensão do que sou."
[Maria de Queiroz]

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Closer - Perto Demais, 2004

Dan - O que faz quando não ama mais?
Alice - "Eu não te amo mais, adeus!"
Dan - E se você ainda ama?!
Alice - Não vai.
Dan - Nunca abandonou ninguém que ainda amava?
Alice - Não!
~*~
Alice – Vou contar a verdade. E você pode me odiar.
Alice – Larry e eu transamos a noite toda. Eu adorei. Eu gozei.
Alice - ... Eu prefiro você. Agora saia.
Dan – Eu já sabia. Ele me contou.
Alice – Você sabia?
Dan – Eu queria ouvir de você.
Alice – Por quê?
Dan – Ele podia ter mentido. Você não.
Alice – Eu não teria te contado. Você nunca me perdoaria.
Dan – Perdoaria. Eu perdoei!
Alice – Por que ele contou?
Dan – Porque ele é um babaca!
Alice – Como ele pôde?
Dan – Para que isso acontecesse.
Alice – Mas por que me testar?
Dan – Por que sou um idiota!
Alice – Sim.
Alice - Eu teria te amado... pra sempre. Agora saia.
Dan – Não faz isso. Fala comigo.
Alice – Já falei. Fora!
Dan – Você entendeu mal. Eu não queria...
Alice – Queria sim.
Dan – Eu te amo!
Alice – Onde?
Dan – O quê?
Alice – Me mostra! Cadê esse amor?
Alice – Eu não o vejo. Eu não posso tocar nele. Eu não sinto. Eu te ouço. Escuto umas palavras... Mas não posso fazer nada com suas palavras vazias. Diga o que disser. É tarde.
Dan – Não faz isso!
Alice – Está feito.


~*~

Esses não são os diálogos que considero os mais fodas, mas em closer há tantos... Tantas doses macisas e diretas de verdades e desencontros. Esse filme é sem dúvidas, meu filme de cabeçeira. Andei esquecendo dele e acabei flutuando em alguns momentos. Mas se há no cinema hoje uma reprodução bem próxima da realidade dos relacionamentos modernos, essa reprodução é closer.

E tenho dito!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A Genialidade da Multidão

Há bastante deslealdade, ódio, violência,
absurdo no ser humano comum
para suprir qualquer exército em qualquer dia.
E o melhor no assassinato
são aqueles que pregam contra ele.
E o melhor no ódio
são aqueles que pregam amor e o melhor na guerra -finalmente-
são aqueles que pregam a paz
aqueles que pregam deus precisam de deus
aqueles que pregam paz não têm paz.
Aqueles que pregam amor não têm amor
cuidado com os pregadores
cuidado com os sabedores.
Cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros
cuidado com aqueles que detestam pobreza
ou que são orgulhosos dela
cuidado com aqueles que elogiam fácil
porque eles precisam de elogios de volta
cuidado com aqueles que censuram fácil:
eles têm medo daquilo que não conhecem
cuidado com aqueles que procuram constantes multidões;
eles não são nada sozinhos
cuidado com o homem comum
com a mulher comum
cuidado com o amor deles
o amor deles é comum,
procura o comum
mas há genialidade
em seu ódio
há bastante genialidade
para matar você, para matar qualquer um.
Sem esperar solidão
sem entender solidão
eles tentarão destruir qualquer coisa
que seja diferente deles mesmos
incapazes de criar arte
eles não irão compreender arte
eles vão considerar sua falha como criadores
apenas como uma falha do mundo
incapazes de amar completamente
eles vão acreditar que seu amor
é incompleto
e eles vão odiar você
e seu ódio será perfeito
como um diamante brilhante
como uma faca
como uma montanha
como um tigre
como cicuta
sua mais fina arte

[Charles Bukowski]

sábado, 13 de dezembro de 2008

Escuta, Zé Ninguém!

És o "homem médio", o "homem comum". Repara bem no significado destas palavras: "médio" e "comum".

Não fujas. Tem ânimo e contempla-te. "Que direito tem este tipo de dizer-me o que quer que seja?" Leio esta pergunta nos teus olhos-amedrontados. Ouço-a na sua impertinência, Zé Ninguém. Tens medo de olhar para ti próprio, tens medo da crítica, tal como tens medo do poder que te prometem e que não saberias usar. Nem te atreves a pensar que poderias ser diferente: livre em vez de deprimido, direto em vez de cauteloso, amando às claras e não mais como um ladrão na noite. Tu mesmo te desprezas, Zé Ninguém, Dizes: "Quem sou eu para ter opinião própria, para decidir da minha própria vida e ter o mundo por meu?" E tens razão: Quem és tu para reclamar direitos sobre a tua vida? Deixa-me dizer-te.
Diferes dos grandes homens que verdadeiramente o são apenas num ponto: todo o grande homem foi outrora um Zé Ninguém que desenvolveu apenas uma outra qualidade: a de reconhecer as áreas em que havia limitações e estreiteza no seu modo de pensar e agir. Através de qualquer tarefa que o apaixonasse, aprendeu a sentir cada vez melhor aquilo em que a sua pequenez e mediocridade ameaçavam a sua felicidade. O grande homem é, pois, aquele que reconhece quando e em que é pequeno. O homem pequeno é aquele que não reconhece a sua pequenez e teme reconhecê-la; que procura mascarar a sua tacanhez e estreiteza de vistas com ilusões de força e grandeza, força e grandeza alheias. Que se orgulha dos seus grandes generais, mas não de si próprio. Que admira as idéias que não teve, mas nunca as que teve. Que acredita mais

arraigadamente nas coisas que menos entende, e que não acredita no que quer que lhe pareça fácil de assimilar.


Wilhelm Reich
~*~
Agora são 01:43 da madrugada e não consigo parar de ler esse livro...
Por hora é só isso.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

UMA REVOLTA

Quando o amor é grande demais torna-se inútil: já não é mais aplicável, e nem a pessoa amada tem a capacidade de receber tanto. Fico perplexa como uma criança ao notar que mesmo no amor tem-se que ter bom senso e senso de medida. Ah, a vida dos sentimentos é extremamente burguesa.

[Clarice Lispector.]
~*~

A cada dia viver me esmaga com mais força

"...se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não achei que ia conseguir dizer, quero dizer, dizer tudo aquilo que escondo desde a primeira vez que vi você, não me lembro quando, não me lembro onde. Hoje havia calma, entende? Eu acho que as coisas que ficam fora da gente, essas coisas como o tempo e o lugar, essas coisas influem muito no que a gente vai dizer, entende? Pois por fora, hoje, havia chuva e um pouco de frio: essa chuva e esse frio parecem que empurram a gente mais pra dentro da gente mesmo, então as pessoas ficam mais lentas, mais verdadeiras, mais bonitas. Hoje eu estava assim: mais lento, mais verdadeiro, mais bonito até. Hoje eu diria qualquer coisa se você telefonasse. Por dentro também eu estava preparado para dizer, um pouco porque eu não agüento mais ficar esperando toda hora você telefonar ou aparecer, e quando você telefona ou aparece com aquelas maçãs eu preciso me cuidar para não assustar você e quando você me pergunta como estou, mordo devagar uma das maçãs que você me traz e cuido meus olhos para não me traírem e não te assustarem e não ficarem querendo entrar demais dentro dos teus olhos, então eu cuido devagar tudo o que digo e todo movimento, porque eu quero que você venha outras vezes (...) A cada dia viver me esmaga com mais força."

[Caio Fernando Abreu, Carta para Além do Muro.]
~*~
Às vezes, ela só quer esquecer tudo... Ou simplesmente não sentir o que lembra... Ou talvez implorar... Mas nada acontece.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Cambaio

~*~
Eu quero moça que me deixe perdido
Procuro moça que me deixe pasmado
Essa moça zoando na minha idéia
Eu quero moça que me deixe zarolho
Procuro moça que me deixe cambaio
Me fervendo na veia

Desejo a moça prestes
A transformar-se em flor
A se tornar um luxo
Pro seu novo amor
Moça que vira bicho
Que é de fechar bordel
Que ateia fogo às vestes
Na lua-de-mel

Eu quero moça que me deixe maluco
Moça disposta a me deixar no bagaço
Essa moça zanzando na minha raia
Eu quero moça que me chame na chincha
Com sua flecha que crave um buraco
Na cabeça e não saia

Vejo fulana a festejar na revista
Vejo beltrana a bordejar no pedaço
Divinais garotas
Belas donzelas no salão de beleza
altas gazelas nos jardins do palácio
Eu sou mais as putas
~*~
Judith and the Head of Holofernes, Gustav Klimt
~*~
Por algum motivo que não sei explicar, paro o dia com um meio sorriso quando essa música toca no rádio, geralmente estou sentada dentro do ônibus. Sempre tive vontade de juntar ela em algum lugar com esse quadro do Klimt (talvez uma livre-associação-sem-sentido...). O por quê? O olhar da Judith de Klimt diz tudo...
Ah...Os olhares das mulheres de Klimt... Poder & Perigo... Como uma "aspirante" a Lilith que sou, não posso deixar de ficar fascinada com eles.
Ainda lamento ser tão Teresa (ler ' A insustentável leveza do ser'), mas do jeito que andam as coisas ainda me torno uma Sabina. O bom é ser uma pouco das duas.
Acredito, ao ver essa tela, que Klimt viu mais que uma história bíblica... Talvez eu também esteja vendo mais do que ele quis passar, mas não sou especialista em obras de arte.
Aqui, me reservo ao direito de escrever a merda que eu quiser.
P.s.: Raios... Que mistura obliqua é essa... Preciso ser mais linear.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Passional

“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

[Clarice Lispector]

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Os sobreviventes

"[...] Ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, angústia, duas décadas de convívio cotidiano, mas ando, ando, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas histórias de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais, nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista, só queria ser feliz, burra, gorda, alienada e completamente feliz, cara."

[C. F. Abreu, in Morangos Mofados]

Puta que pariu! [precisava soltar essa...]
Depois de procurar sofregamente esse livro em toda parte, o encontro hoje numa biblioteca municipal empoeirada que não vou a exatamente um ano e o primeiro trecho sublinhado que encontro é este acima. O conto todo é o que os intelectuais definiriam como FODA! Cada dia amo mais esse cara.
Oh! Minha santa Hilda Hilst daí-me o DOM!

P.s.: Parabéns pra mim, uma fodida a vinte primaveras.