sexta-feira, 19 de março de 2010

Leis I

Lei de Bilac:

"Só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender estrelas"



Nunca ouvi e, sendo assim, acho que nunca ouvirei as estrelas.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Don't Try


1. Buk me disse que na vida tudo é ilusão de verdade.

2. O que parece não é.

3. Zerei os contadores, sendo assim, nunca amei. Era patético pensar naquela vez.

4. Percebi pela primeira vez que qualquer coisa POSSUÍDA POR QUALQUER PESSOA tinha uma tranca.

5. Ele continua:
- Não é preciso uma multidão de homens e mulheres pra asfixiar e mutilar a vida de qualquer indivíduo, basta um. e geralmente é só um.

6. Falou mais, mas só lembro do que eu precisava menos.

7. Antes era mais fácil ficar próxima de pessoas distantes, agora nem isso.

8. Scotch e água, lembro disso.

9. Não sou esnobe; simplesmente não estou interessado no que a maioria das pessoas tem pra dizer, ou o que elas desejam fazer - principalmente com o meu tempo.

10. Hoje, só dez. Maldita dor de cabeça.


sábado, 6 de março de 2010

Listas

Em 22/02/10:
  1. O que quero escrever não é “escritivel”
  2. O que tenho a oferecer não é necessário e venho tentado me enganar.
  3. Tento me convencer de que já não sou o que sou.
  4. Que já não faço o que faço e não estou onde estou.
  5. O calor veio avisar que mais tarde vem chuva.
  6. Não consigo convencer nem a mim mesma, nem aos outros.
  7. Não posso mostrar a ninguém que estou sempre triste.
  8. Tenho que ser “aguentável”
  9. Vou ouvir Cássia Eller agora
  10. O dia passou e nem vi. Lembrar de me desculpar com ele.
  11. Fui lembrada quando não estava lá, mas estava lá e vi que fui lembrada. Foi bom.
  12. O que acho belo me intimida.
  13. Odeio ser tão clara e usar as palavras com tanta transparência.
  14. Hoje me lembrei dele de novo.
  15. Foi tudo tão rápido
  16. Minha mãe fala: Os homens nunca deveriam ter deixado de usar chapéu.
  17. Ele usa chapéu.
  18. Ele nunca deveria ter me deixado.
  19. Verdade, mãe
  20. Algumas coisas nunca deveriam ter se perdido.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Sobre a felicidade


Fumei, bebi e cheirei coisas suficientes pra concluir que o pior dos vícios é a felicidade,
pois, uma vez que a tenha vivido será o suficiente para buscá-la de forma desesperada pelo resto dela - as vezes em vão.

[desconheço o autor]

domingo, 3 de janeiro de 2010

Yashanti, Yael Naim

O que eu queria
Para isso não ter fim
Era não ter pressa

Yashanti, Yael Naim

Ma Sheratziti
Shelo Igamer
Lo Lemaher


Ouvindo compulsivamente?
Sim, estou.

domingo, 22 de novembro de 2009

A sempre companheira, melancolia.

você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. para que o protejam, para que sintam falta. tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. escreverá: penso em você. deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.


Caio Fernando Abreu

não tenho culpa se ele sempre entende.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009


"Um silêncio apavorado com o medo em solidão, um silêncio de torturas e gritos de maldição ...
Mas tende piedade também dos que
buscam o silêncio ..."
[Vinicius de Moraes]

Ela esperava tudo do seu silêncio cotidiano. O distanciamento das pessoas, mesmo amando e sendo amada por algumas delas, poucas, ela sabia. O silêncio é um abismo entre corpos, hoje em dia, ninguém mais acredita na proximidade de almas. Então o distanciamento, sim, ela esperava.

As dificuldades sociais? Consequências. Ela habitava uma terra onde interações sociais contavam mais que habilidades intrínsecas. A terra onde se tinha que estabelecer contatos, não laços duradouros. Profissionalmente ela estava fadada a um ostracismo grego. E disso tudo sabia, mas aceitava resignada essa consequência de algo que ela não poderia mudar, nem queria.

A lista é enorme... Há muitas formas de estar em desvantagem nesse mundo, nem sei se alguém já falou das sofridas por pessoas silenciosas, espero que sim. Falta-me habilidade literária, dialética e cientifica pra tecer todas as “pedras no meio do caminho” dessas pessoas. O fato, é que racionalmente ela tinha consciência de muitas, talvez não estivesse suficientemente preparada pra todas, mas esperava, e isso já é alguma coisa.

Entretanto havia uma, aparentemente insignificante, que lhe tirava a paz de saber as consequências do que era, do que conseguia ser. E esta, talvez por ingenuidade emocional, não sei... Esta, ela nunca esperou. Sentia saudades, falta.

Era o seguinte, as pessoas entravam na vida dela, pra conhecer, participar um pouco. Algumas permaneciam outras não, algumas importavam outras não e algumas demoravam um pouco, depois saiam. Falemos dessas ultimas, porque de algumas dessas, ela sentia uma falta absurda, enternecedora.

Ela vivia a perguntar-se por quê. Por que sentia tanta falta se sabia o que era? Ela tinha consciência da sua condição neste mundo, então, que sensação era aquela? Você aceita o que é e acha que daí por diante as coisas ficarão mais fáceis, pessoas inteligentes, sensíveis e fascinantes já afirmaram algo assim, mas não é verdade, não pra ela. Essa saudade, essa falta, tudo isso deixava as coisas bem mais difíceis, bem mais.

O fato é: ela plantava silêncio e colhia saudade.