
sexta-feira, 19 de março de 2010
Leis I

quinta-feira, 11 de março de 2010
Don't Try

sábado, 6 de março de 2010
Listas

- O que quero escrever não é “escritivel”
- O que tenho a oferecer não é necessário e venho tentado me enganar.
- Tento me convencer de que já não sou o que sou.
- Que já não faço o que faço e não estou onde estou.
- O calor veio avisar que mais tarde vem chuva.
- Não consigo convencer nem a mim mesma, nem aos outros.
- Não posso mostrar a ninguém que estou sempre triste.
- Tenho que ser “aguentável”
- Vou ouvir Cássia Eller agora
- O dia passou e nem vi. Lembrar de me desculpar com ele.
- Fui lembrada quando não estava lá, mas estava lá e vi que fui lembrada. Foi bom.
- O que acho belo me intimida.
- Odeio ser tão clara e usar as palavras com tanta transparência.
- Hoje me lembrei dele de novo.
- Foi tudo tão rápido
- Minha mãe fala: Os homens nunca deveriam ter deixado de usar chapéu.
- Ele usa chapéu.
- Ele nunca deveria ter me deixado.
- Verdade, mãe
- Algumas coisas nunca deveriam ter se perdido.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Sobre a felicidade
domingo, 3 de janeiro de 2010
Yashanti, Yael Naim
domingo, 22 de novembro de 2009
A sempre companheira, melancolia.
Caio Fernando Abreu
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
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Ela esperava tudo do seu silêncio cotidiano. O distanciamento das pessoas, mesmo amando e sendo amada por algumas delas, poucas, ela sabia. O silêncio é um abismo entre corpos, hoje em dia, ninguém mais acredita na proximidade de almas. Então o distanciamento, sim, ela esperava.
As dificuldades sociais? Consequências. Ela habitava uma terra onde interações sociais contavam mais que habilidades intrínsecas. A terra onde se tinha que estabelecer contatos, não laços duradouros. Profissionalmente ela estava fadada a um ostracismo grego. E disso tudo sabia, mas aceitava resignada essa consequência de algo que ela não poderia mudar, nem queria.
A lista é enorme... Há muitas formas de estar em desvantagem nesse mundo, nem sei se alguém já falou das sofridas por pessoas silenciosas, espero que sim. Falta-me habilidade literária, dialética e cientifica pra tecer todas as “pedras no meio do caminho” dessas pessoas. O fato, é que racionalmente ela tinha consciência de muitas, talvez não estivesse suficientemente preparada pra todas, mas esperava, e isso já é alguma coisa.
Entretanto havia uma, aparentemente insignificante, que lhe tirava a paz de saber as consequências do que era, do que conseguia ser. E esta, talvez por ingenuidade emocional, não sei... Esta, ela nunca esperou. Sentia saudades, falta.
Era o seguinte, as pessoas entravam na vida dela, pra conhecer, participar um pouco. Algumas permaneciam outras não, algumas importavam outras não e algumas demoravam um pouco, depois saiam. Falemos dessas ultimas, porque de algumas dessas, ela sentia uma falta absurda, enternecedora.
Ela vivia a perguntar-se por quê. Por que sentia tanta falta se sabia o que era? Ela tinha consciência da sua condição neste mundo, então, que sensação era aquela? Você aceita o que é e acha que daí por diante as coisas ficarão mais fáceis, pessoas inteligentes, sensíveis e fascinantes já afirmaram algo assim, mas não é verdade, não pra ela. Essa saudade, essa falta, tudo isso deixava as coisas bem mais difíceis, bem mais.
O fato é: ela plantava silêncio e colhia saudade.

