segunda-feira, 31 de agosto de 2009

sábado, 22 de agosto de 2009

Suspenso


Estou levitando

E juntando

Meus pedaços

Recolhendo meus silêncios

Apagando minhas cores

Disfarçando meus perfumes.

Quando entrei deixei tudo

Tudo

Espalhado no ar

Quem olhasse

Não entenderia

E nem adiantaria tentar

Porque tudo

Tudo

Era uma questão de sentir

Como uma fotografia em preto e branco

Onde você só pode imaginar as cores

Elas estão lá

Mas você não as vê

E assim estou

No que você

Não

Vê.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Depois do perigo

Não, não me aqueça
Hoje eu quero o frio
O vazio
Que a sorte deixou aqui
Quero sentir a altura do abismo
Pra eu poder subir depois do perigo

Não, não me acalme com silabas doces
Hoje eu quero o açoite das palavras rudes
Pra que eu possa me defender em atitudes
Não, por favor hoje não me proteja
Para que eu finalmente veja
O que a vida reservou para mim.


Zelia Duncan

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Ok mundo, pode parar de cair na minha cabeça.
Já entendi que você é bem maior que eu.

sábado, 1 de agosto de 2009

Desistiu


Okay,
Tudo bem, é realmente muito difícil ler pensamentos...
Ela só queria livrar-se do medo.
Havia um jeito,
mas entendo... é realmente muito difícil ler pensamentos.

Assim:

Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.

[Caio F. Abreu]

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Humpf!

Está muito cansado pra tentar de novo
E é muito cedo pra desistir?
É... o problema é seu.

sábado, 25 de julho de 2009

pois é


A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá (...) A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

[ Marina Colasanti ]