domingo, 3 de janeiro de 2010

Yashanti, Yael Naim

O que eu queria
Para isso não ter fim
Era não ter pressa

Yashanti, Yael Naim

Ma Sheratziti
Shelo Igamer
Lo Lemaher


Ouvindo compulsivamente?
Sim, estou.

domingo, 22 de novembro de 2009

A sempre companheira, melancolia.

você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. para que o protejam, para que sintam falta. tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. escreverá: penso em você. deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.


Caio Fernando Abreu

não tenho culpa se ele sempre entende.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009


"Um silêncio apavorado com o medo em solidão, um silêncio de torturas e gritos de maldição ...
Mas tende piedade também dos que
buscam o silêncio ..."
[Vinicius de Moraes]

Ela esperava tudo do seu silêncio cotidiano. O distanciamento das pessoas, mesmo amando e sendo amada por algumas delas, poucas, ela sabia. O silêncio é um abismo entre corpos, hoje em dia, ninguém mais acredita na proximidade de almas. Então o distanciamento, sim, ela esperava.

As dificuldades sociais? Consequências. Ela habitava uma terra onde interações sociais contavam mais que habilidades intrínsecas. A terra onde se tinha que estabelecer contatos, não laços duradouros. Profissionalmente ela estava fadada a um ostracismo grego. E disso tudo sabia, mas aceitava resignada essa consequência de algo que ela não poderia mudar, nem queria.

A lista é enorme... Há muitas formas de estar em desvantagem nesse mundo, nem sei se alguém já falou das sofridas por pessoas silenciosas, espero que sim. Falta-me habilidade literária, dialética e cientifica pra tecer todas as “pedras no meio do caminho” dessas pessoas. O fato, é que racionalmente ela tinha consciência de muitas, talvez não estivesse suficientemente preparada pra todas, mas esperava, e isso já é alguma coisa.

Entretanto havia uma, aparentemente insignificante, que lhe tirava a paz de saber as consequências do que era, do que conseguia ser. E esta, talvez por ingenuidade emocional, não sei... Esta, ela nunca esperou. Sentia saudades, falta.

Era o seguinte, as pessoas entravam na vida dela, pra conhecer, participar um pouco. Algumas permaneciam outras não, algumas importavam outras não e algumas demoravam um pouco, depois saiam. Falemos dessas ultimas, porque de algumas dessas, ela sentia uma falta absurda, enternecedora.

Ela vivia a perguntar-se por quê. Por que sentia tanta falta se sabia o que era? Ela tinha consciência da sua condição neste mundo, então, que sensação era aquela? Você aceita o que é e acha que daí por diante as coisas ficarão mais fáceis, pessoas inteligentes, sensíveis e fascinantes já afirmaram algo assim, mas não é verdade, não pra ela. Essa saudade, essa falta, tudo isso deixava as coisas bem mais difíceis, bem mais.

O fato é: ela plantava silêncio e colhia saudade.

sábado, 7 de novembro de 2009

e de novo e de novo...

Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias.

caio.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Filisteus

A palavra filisteu, no sentido não-histórico, refere-se à pessoa deficiente na cultura das Artes liberais, um oponente intolerante do boêmio, quem exibe um código moral restritivo, desapreciador das ideias artísticas.

A partir do século XIX, na Europa, a palavra "filisteu" passou a designar pessoas de comportamento acovardado, que têm ojeriza por questões políticas maiores, não valorizam arte, beleza ou conteúdo intelectual, e satisfazem-se com o cotidiano da vida privada pacata e confortável. O filisteu não seria adepto de ideais, mas apenas de propostas práticas passíveis de ser contabilizadas em melhorias para sua vida privada imediata.


Fonte: aqui.

~*~

Okay. Detestável, mas seria mais fácil, não?

É quase um "não sentir".

Quando se está sufocando, por ter acreditado numa ideia,

você acaba por querer ser o que mais detesta.

E no fim, nada valeu a pena e você se sente um idiota por ter acreditado.

Tem sido assim com as paixões humanas.


sábado, 10 de outubro de 2009

num sábado pudico...


"Ah! Essas pessoas sensatas!”, exclamei sorrindo. “Paixão! Embriaguez! Loucura! Vocês, pessoas decentes, ficam aí impassíveis, censurando os bêbados, abominando os insensatos, seguem o seu caminho como um padre e agradecem a Deus como um fariseu, por não tê-los feito iguais a nenhum deles. Por mais de uma vez me embriaguei e as minhas paixões estiveram à beira da loucura, e não me arrependo disso; pois, de uma certa forma, consegui compreender por que todos os homens extraordinários, que fizeram alguma coisa grande, alguma coisa inacreditável, sempre foram chamados de bêbados ou loucos. Mas também na vida comum é insuportável acabar de executar uma ação espontânea, nobre e inesperada, e logo ouvir alguém dizendo: ‘Este homem está bêbado, está doido!’. Vocês, sóbrios, não têm vergonha? Vocês, eruditos, não têm vergonha?"

Os sofrimentos do jovem Werther, Goethe.

domingo, 4 de outubro de 2009

ele, de novo.

não te tocar, não pedir um abraço, não pedir ajuda, não dizer que estou ferido, que quase morri, não dizer nada, fechar os olhos, ouvir o barulho do mar, fingindo dormir, que tudo esta bem, os hematomas no plexo solar, o coração rasgado, tudo bem.

Caio F. Abreu