sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

May your coming year be filled with magic and dreams and good madness. I hope you read some fine books and kiss someone who thinks you’re wonderful, and don’t forget to make some art — write or draw or build or sing or live as only you can. And I hope, somewhere in the next year, you surprise yourself. 

Neil Gaiman

domingo, 4 de setembro de 2011

Reality


Ninguém percebe, mas perder alguém que você ama depois de ter lutado com todas as forças, investido tudo que podia, aguentado todo sofrimento e dor, é como um trauma depois de um assalto. O que fica é aquele medo depois que tiraram algo importante de você, e como se não fosse o bastante ainda te espancaram até que cada pequeno pedaço do seu corpo doesse, e te deixaram no chão, sozinha, num lugar onde não havia mais ninguém além de você e seus gemidos de dor.
Parece drama demais, eu sei, mas como descrever isso?

500 Days of Summer: I'm Tom Hanser

Amar magoa. É como se oferecer para ser esfolada, e sabendo que a qualquer momento a pessoa pode simplesmente ir embora levando sua pele

Susan Sontag (1933-2004)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Mas que puxa, caio!

Meu nome é Caio F.
Moro no segundo andar,
mas nunca encontrei você na escada.

Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.
Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para falar, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, o ver, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da concha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão.
No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios - que importa?
(Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio - viria? virá? - e minto não, já não preciso.) Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus.
Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço. Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas caírem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.
 
Caio F. Abreu. Crônica publicada no jornal Estadão, Caderno 2 de 29 de julho de 1987

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Para ler ouvindo Vinte e Nove, da Legião Urbana


Às vezes você quer muito algo, mas não tem mais idade para desejar como uma criança. Você quer com tranquilidade. Você tem a verdadeira consciência de que talvez dê certo, mas que se não der, você vai continuar buscando. Você sabe que está tudo muito difícil, sabe que você precisa muito daquilo, mas paciência. Você fez tudo que podia, não fez? Agora você vai ter que esperar e ficar de olho em outras oportunidades. Paciência.
Viver não é fácil, você já tem idade suficiente para saber disso.
E foi nisso que pensei hoje. A vida parece tão caótica, mas se você parar pra pensar um pouco, vai perceber que há uma lógica meio louca por trás de tudo. Hoje, especifica e especialmente hoje, tudo se resume pra mim a uma frase: coisas ruins atraem coisas ruins e coisas boas atraem coisas boas.
Parece simplista demais e ideia de livro de auto-ajuda, eu sei, mas essa não é a questão. A verdade é que merda atrai mais merda. Isso é fato. Sabe quando você pensa que as coisas não podem piorar mais e puft! Elas conseguem um grau de excelência em dar errado? Não se engane, quando algo começar a dar errado, TUDO vai começar a dar errado. Essa é uma visão aceita por quase todo mundo, poucos irão discordar. Mas é difícil perceber aquele momento no qual uma simples coisinha dá certo e, de repente, mais outra e mais outra. Não chega a ser tudo, mas coisas pelas quais você tem esperado há muito tempo. Coisas que você colocou na cabeça: "é, vou correr atrás disso. pode dar merda, mas vou tentar". E quando você menos espera, conseguiu. Às vezes acontece tudo ao mesmo tempo e você pode até escolher qual vai ser melhor. Olha só, quem diria... Você pode escolher.
Aconteceu comigo uma vez,  foi tão bom. Poucas coisas se comparam a essa sensação de poder escolher dentre várias coisas boas, A MELHOR. Pra algumas pessoas isso acontece tantas vezes que elas nem notam mais. Mas pra gente como eu, cara isso é tão raro, tão mágico. O universo a seu favor depois de tudo que você tem passado, depois de todo o esforço que você fez, imagina. Situações assim nunca passarão despercebidas por pessoas como nós.
Não sei, talvez eu esteja querendo me consolar, mas acho mesmo que pessoas como eu conseguem perceber melhor a magia por trás da vida. E é preciso um bocado de calma pra chegar nesse nível. Exige um nível de amadurecimento, de tranquilidade, esperança e fé que... nossa. 
Eu to tentando. Muito mesmo. Ainda não sou tão madura,  tranquila e minha fé ainda é tão pouca, mas to tentando. Um dia eu consigo. Hoje eu consegui.

domingo, 14 de agosto de 2011

Meus registros I

(00:25) Nádia:"coisas inexplicáveis, carências incuráveis...
Ninguém acredita, mas eu sou uma pessoa muito sozinha.
Não pense que isso é ruim não,
porque ruim é não sentir nada,
a solidão faz parte.
Tenho sentido uma vontade sobrenatural
de ligar para alguém que já não me atenderia mais,
tenho vontade de dizer que faz falta o que não vivi".
(00:25) (muxhe.):porra
de quem é isso?
(00:26) Nádia:ora de quem
(00:26) (muxhe.):caio né?
(00:27) Nádia:"Esse espaço branco entre dois encontros 
pode esmagar completamente uma pessoa. 
Por isso eu acho que a gente se engana, às vezes. 
Aparece uma pessoa qualquer e então tu vai e inventa uma coisa 
que na realidade não é. 
E tu vai vivendo aquilo, porque não agüenta 
o fato de estar sozinho."
(00:28) Nádia:eu habito esse engano.
(00:31) (muxhe.):unhf...
isso é alguma indireta ou sei lá?

sábado, 6 de agosto de 2011

Meu problema é que penso demais em coisas que não tem jeito e negligencio as que tem.